Aos 155 anos, Diário Oficial da União deixa de ser publicado em papel

em Transparência | 01.12.2017

Reportagem do G1 mostrou que para imprimir o DOU eram usadas 720 toneladas de papel por ano. O jornal já noticiou Lei Áurea, Proclamação da República, Constituição, AI-5.

 

Depois de 155 anos, o Diário Oficial da União deixou de ser publicado em papel. Deu na primeira página: vão parar as impressoras. Começou no Império. A Lei 1.177 de 9 de setembro de 1862 criou o Diário Oficial. A Família Real portuguesa trouxe para o Brasil a primeira prensa, as primeiras letras. O número um circulou no dia 1º de outubro de 1862.

No meio de uma edição, sem nenhum destaque, a Lei Áurea, o fim da escravidão, em 1888. Um ano depois, a Proclamação da República. A Constituição, o Ato Institucional número 5, que tentou calar a todos.

Se juntasse tudo, imagine o tamanho do livro. Bem maior que a edição de dezembro de 1997. Um recorde. Mais de duas mil páginas de burocracia. Por causa dela, o Diário Oficial da União ganhou o título de jornal diário com o maior número de páginas do mundo.

Leis, decretos, nomeações. O tamanho da letra não ajudava. Mas era só procurar. Para valer, as decisões do governo têm que estar no DOU.

O jeitão foi mudando: um F saiu, ganhou a palavra União e, há 20 anos, a versão eletrônica. Os 90 mil exemplares caíram para 6 mil. E na madrugada de 30 de novembro de 2017 acabou de vez. Agora, é na internet.

Trinta de novembro de 2017: é o próprio Diário Oficial da União entrando na história. O DO, como é conhecido, está sendo impresso pela última vez. E a natureza agradece. Eram usadas 720 toneladas de papel por ano, quase 11 mil árvores para imprimir o DO. Palmas para a última edição.

Com a segurança de que nada vai ser alterado na versão online. A Imprensa Nacional utiliza recursos tecnológicos baseados em certificação digital para que esses documentos possam estar publicados na internet, no seu portal, com toda a garantia de integridade e autenticidade, explica Symball Rufino, coordenador de Tecnologia da Imprensa Nacional.

Como lembra Gil Castello Branco, especialista em contas públicas, a população precisa ter como fiscalizar. “O importante é que o controle social continue a ser realizado no conteúdo do DOU. Pelo papel ou pelo portal, as nomeações, exonerações, licitações e contratos devem continuar de fácil acesso para a população”, afirma.

Castello Branco lembra que o DOU na internet já existe há um bom tempo, mas o portal foi melhorado e agora também funciona pelo celular.