Projeto de abuso de autoridade quer ‘calar’ Lava Jato, diz Deltan

em Notícias | 19.04.2017

A votação do projeto que criminaliza o abuso de autoridade será utilizada pelos congressistas para tentar silenciar a Lava Jato, afirmou o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da operação. A afirmação aconteceu em vídeo publicado em redes sociais.

“Admitir isso é calar de vez a força-tarefa da Lava Jato e o próprio juiz Sérgio Moro. Não permita que isso aconteça. Se manifeste contra essa lei, viralize esse vídeo, expresse a sua indignação, faça a sua voz ser ouvida pelos políticos. Vamos lutar juntos contra a impunidade e a corrupção”, disse Dallagnol.

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima reiterou a tese de Dallagnol, ao acusar os políticos de planejarem uma “vingança”.

“[...] uma comissão do Senado votará o projeto de lei de abuso de autoridade, proposto pelo senador Renan Calheiros e relatado pelo senador Requião. Todos nós somos contra o abuso de autoridade, mas não é isso que está em jogo. Esse projeto promove uma verdadeira vingança contra a Lava Jato. O que desejam é processar criminalmente o policial que os investiga, o procurador que os acusa e o juiz que os julga”, declarou.

O projeto de abuso de autoridade será reapresentado nesta quarta-feira (19) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O relator da proposta, senador Roberto Requião (PMDB-PR), irá apresentar na comissão um substitutivo, baseado em sugestões ao projeto feitas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Requião pretende reduzir as resistências aos texto, assinado originalmente por Renan Calheiros (PMDB-AL), ex-presidente do Senado. O peemedebista tentou acelerar a votação do texto no final do ano passado, depois de diligências da Polícia Federal nas dependências do Senado. Alvo de inúmeras críticas à época, Renan teve que recuar.

Requião nega que o projeto seja para barrar as investigações da Lava-Jato, ou que a divulgação dos inquéritos abertos no Supremo Tribunal Federal (STF) vá acelerar a votação da matéria.

“Não estou com pressa. Podem votar, discutir, a CCJ é que irá ditar o calendário. E não me venham dizer que sou contra a Lava-Jato. Eu sou um entusiasta da Lava-Jato. Mas também não sou cego”, disse, declarando preocupação com as delações premiadas.