Livro “Perigosas Pedaladas” cita Contas Abertas

em Notícias | 18.03.2017

O livro “Perigosas Pedaladas”, do jornalista João Villaverde explica, de forma clara e acessível, o que foram as “pedaladas fiscais”. A publicação cita a Associação Contas Abertas como uma das precursoras na avaliação dessas operações que levaram ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Na página 83, em capítulo intitulado “O Gatilho”, Villaverde mostra que desde o início de 2014 o economista Gil Castello Branco, secretário-geral da Contas Abertas, vinha alertando para a concentração atípica de pagamentos lançados pelo governo nos últimos dias do meses, além da crescente inscrição de “restos a pagar processados” pelo governo.

A publicação também lembra que a Contas Abertas desmentiu a alegação de Dilma de que as pedaladas teriam garantido o pagamento de programas sociais. A Associação produziu levantamento com todas as pedaladas confirmadas pelo Tribunal de Contas da União realizadas pelo Tesouro com a Caixa (com as despesas sociais trabalhista) e com o Banco do Brasil e o BNDES.

O documento da Contas Abertas apontava para uma história diferente da contada pela ex-presidente: “A maioria das ‘pedaladas’ foi para grandes empresas e agronegócio”. Os valores devidos ao Banco do Brasil, decorrentes do financiamento subsidiado ao Plano Safra e ao BNDES, por causa dos empréstimos do Programa de Sustentação ao Investimento (PSI), eram superiores àqueles devidos à Caixa por causa dos atrasos nos repasses ao seguro-desemprego, ao abono salarial e ao Bolsa Família.

O livro ressalta que a análise da Contas Abertas foi rapidamente disseminada pelas redes sociais e repercutida pelos jornais.

A publicação de João Villaverde conta ainda como foram as disputas dentro do governo Dilma Rousseff para encerrar a crise, como essas operações foram investigadas e como, finalmente, a presidente foi destituída.

A sinopse do livro aponta que o Brasil do pós-Dilma está diante de uma nova rodada de transformações. O livro alerta para o que poderia ser uma política econômica para o futuro. Em todos os momentos de grave crise, diversas reformas – sociais, políticas e até culturais – surgiram. Foi assim logo após a Revolução de 1930, após o golpe militar de 1964, mais tarde durante a “década perdida” dos anos 1980 e também após a quase falência dos bancos públicos e do próprio governo no fim dos anos 1990.

“O que sairá da implosão do acordo político e econômico do pós-Constituição de 1988? Ao dissecar as pedaladas fiscais e o papel de diferentes segmentos do governo federal (os economistas, os investigadores e os advogados). Qual será nosso futuro depois desta enorme e dramática crise? O livro de João Villaverde lança uma luz nessa escuridão”, diz a sinopse.

Leia primeiro capítulo

Esse já é o segundo livro que cita a relevância da Contas Abertas na descoberta das pedaladas. O livro “Anatomia de um Desastre”, que conta os bastidores da crise econômica que levou o Brasil a pior recessão da sua história, menciona a participação da Associação Contas Abertas na descoberta das operação. A publicação foi escrita por Claudia Safatle, João Borges e Ribamar Oliveira.

O livro conta que em janeiro de 2014, a Contas Abertas encaminhou ao jornalista e colunista do jornal Valor Econômico, Ribamar Oliveira, um dos autores do livro, informações sobre o aumento substancial de restos a pagar que tinham sido deixados para 2014, com o objetivo de melhorar o superávit primário de 2013.