Procuradores da Lava Jato defendem reforma anticorrupção e apartidarismo da operação

em Corrupção | 18.05.2017

Após a divulgação de áudios em que o presidente Michel Temer aprova o pagamento do silêncio de Eduardo Cunha, o coordenador da operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, afirmou que ninguém mais aguenta toda essa “podridão”.

Para Dallagnol, a “reforma anticorrupção” deve ser prioritária em relação a outras. Se este Congresso não fizer as reformas necessárias contra a corrupção, será uma confissão de incompetência e merecerá a vergonha dos crimes que o cobrem - com as honrosas exceções daqueles que estão lutando por essas mudanças.

“A melhor coisa que a sociedade poderá fazer, além de protestar, será mostrar sua indignação nas urnas, colocando no Congresso em 2018 pessoas comprometidas com as transformações que queremos ver. Não roubarão nosso país de nós. Lutaremos por ele até o fim”, disse

O também procurador da República e também coordenador da força-tarefa da Lava Jato Carlos Fernando Dos Santos Lima também comentou, sobre a reportagem de O Globo. “Não sejamos maniqueístas de achar que ou é o partido X ou o partido Y o problema. É muito mais que isso”, escreveu.

Para ele, é preciso acreditar em um trabalho sério desenvolvido pelo Ministério Público Federal desde o início de 2014. “Enquanto diziam que éramos contra um partido ou outro, a Procuradoria da República se manteve firme na sua tarefa de revelar a corrupção político-partidária sistêmica que mina todos os esforços da população para trabalhar e crescer por esforços e méritos próprios”, afirmou.

Santos defendeu que não se pode aceitar a ideia de que precisamos encerrar as investigações, jogando tudo debaixo do tapete, em troca de uma recuperação econômica. “Enquanto não mudarmos a política e as leis processuais e penais, viveremos uma crise atrás de outra. Precisamos acreditar que é possível mudar”, concluiu.