A política de “amigas do poder” não deu certo, aponta Gil Castello Branco

em Corrupção | 19.05.2017

Reportagem do Correio Braziliense mostra que as empresas do grupo J&F Investimentos são as últimas campeãs nacionais eleitas pela gestão petista que ruíram por escândalos de corrupção ou por má administração. Todas elas têm em comum vultosos aportes do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Para o economista Gil Castello Branco, secretário-geral da associação Contas Abertas, a política de campeões nacionais trouxe diversos prejuízos para a economia brasileira. Na opinião dele, não teve êxito em gerar empregos e alavancar a indústria brasileira.

"O Estado ofereceu recursos públicos com condições generosas para diversas companhias que quebraram ou estão à beira da falência. A política de campeões nacionais, amigas do poder, não deu certo e parece que há uma mudança de orientação", comentou.

A JBS negava irregularidades até ontem e dizia que era auditada com regularidade para atestar o padrão de qualidade. Entretanto, após a divulgação da delação dos executivos da empresa, ficou claro que o frigorífico pagava propina a agentes públicos em troca de vantagens políticas. O BNDES possuía, até setembro, 20,36% das ações da companhia.

Entre os negócios escolhidos como prioritários que contaram com apoio do BNDES estão companhias do setor de proteína animal. Enquanto a JBS se tornou líder global em carnes, o frigorífico Marfrig precisou vender ativos para cobrir prejuízos acumulados.

As duas companhias das quais o banco de fomento é acionista estão na mira da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF). A empresa da família Batista foi alvo da Operação Carne Fraca. Um dos empregados da Seara, uma das marcas vendidas pelo grupo, é acusado de oferecer propina a fiscais agropecuários federais em troca de que certificados sanitários fossem emitidos sem fiscalização.

No caso da Marfrig, o fundador e presidente do Conselho de Administração, Marcos Molina, foi alvo de um mandado de busca e apreensão em sua residência em São Paulo na Operação Cui Bono. Segundo as investigações, o frigorífico fez um depósito de quase R$ 500 mil na conta de uma empresa de Lúcio Funaro.

Há suspeita de que a transferência ocorreu em troca de um empréstimo de R$ 350 milhões da Caixa Econômica Federal. A Marfrig nega qualquer irregularidade na operação e diz que, na época, a empresa não era alvo de mandados. Até setembro, o BNDES possuía 19,61% da companhia.

"A despeito dos problemas dos executivos, as empresas precisam ser preservadas porque possuem papel relevante para a economia e para a sociedade", avalia o economista Antônio Corrêa de Lacerda, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Para ele, quem cometeu irregularidades precisa ser punido e multas devem ser impostas às companhias. Entretanto, linhas de financiamento não devem ser cortadas para asfixiar financeiramente os conglomerados. "Precisam tirar a água suja do banho sem ferir a criança", resumiu.